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A força do trabalho em equipe para o sucesso
May, 08 2018

Por Edu Oncins - Tennis Info

Unidos venceremos, unidos somos mais fortes, são frases de efeito que em nosso esporte não são sempre a tônica. O tênis por ser em grande parte individual e extremamente competitivo, exige um amadurecimento emocional e força mental extremos.

Me lembro quando jogava e viajava muito sozinho, por não ter recursos financeiros para bancar um treinador full time que viajasse comigo, era jogo duro. Tinha que fazer tudo na raça. Aprendi cedo que teria que me virar para achar o lugar mais barato para dormir, comer, locomover etc. Ficava na Europa muitas vezes até 5 meses por ano, fora outros países e continentes, sem voltar para casa, pois não podia gastar dinheiro para matar as saudades e na época não havia celular, tinha que ser por carta ou telefone para falar com a família.

Andava muito de trem para economizar, dormindo nos próprios se a viagem fosse longa. Foram vários anos, muitos países, torneios e muitas experiências de aprendizado que servem para minha vida até hoje. Nos torneios era duro estar só, e muitas vezes quando estava com outros brasileiros, tinha até torcida contra, de vários compatriotas. Os brasileiros não eram unidos naquela época, sempre haviam colegas que não priorizavam grandes amizades.

Diferentemente de grupos argentinos e outros sul-americanos que ficavam unidos, inclusive vários mantenho grande amizade até hoje. Também grupos de suecos, alemães, russos, australianos, espanhóis e outros, treinavam juntos, torciam um pelo outro, muito legal. Geralmente era o grupo e um ou dois técnicos para todos.

Talvez essa fosse uma receita de sucesso na época, para aparecerem tantos jogadores entre os 100 do mundo desses lugares. A experiência de pertencer a um grupo com certeza ameniza as dificuldades. Um grupo que faz uma programação e traça objetivos, que treinam juntos, torcem um pelo outro facilita em todos os aspectos.

Isso fica evidente em Team Tennis como a Laver Cup, Hopman Cup, Copa Davis, Continental Cup, nos Juniors Sul-americanos por equipes, Sunshine Cup e outros. Na Laver Cup é impressionante e muito prazeroso vermos grandes jogadores que
normalmente são rivais históricos, no mesmo time torcendo um pelo outro. Vimos um Nadal torcendo pelo Federer e vice-versa. Os próprios jogadores se identificam com a possibilidade de desenvolverem grandes amizades nesses eventos. Torna-se uma grande festa.

Laver Cup


Outro exemplo vem das escolas e universidades norte-americanas, com seus times lutando pelos campeonatos estaduais e nacionais. Temos uma situação comprovada, com meu irmão Jaime na escola Montverde Academy em Orlando. Jaime além da competência como técnico, trabalhou muito o espirito de união, fazendo dois times vencedores, no masculino bi-campeão estadual, e no feminino vice-campeãs da Flórida.

Impressiona ver as cenas de apoio entre a garotada da escola, inclusive com adolescentes de outros esportes apoiando os times nas competições e celebrando as vitórias juntos. Vejo algo assim começando a acontecer devagar no Brasil. Penso que esse caminho de times e jogadores treinando e viajando juntos é com certeza uma excelente formula de sucesso.

Também pais de jogadores, que começam a despontar, sugiro que conversem entre si e combinem talvez dividir custos de treinadores dentro de uma mesma programação, seria muito inteligente e proveitoso. Fica a sugestão. Movimentos começando a priorizar a união, parcerias entre entidades, clubes e empresas com certeza é o caminho, mas principalmente a mentalidade da garotada também tem que mudar.

Talvez o brasileiro devesse ser um pouco menos egoísta e pensar que o tênis é somente um jogo. A competição logicamente existe, a possibilidade de jogar com seu amigo num torneio é grande, mas é apenas um jogo e um dia terminará. Você poderá honrar essa amizade sincera dando o melhor de si em um jogo com ética, fair play, muito respeito e no final ganhando ou perdendo cumprimentar seu amigo. A amizade ficará para a vida toda. Tenho até hoje grandes amigos que vieram do tênis e mantenho contato. O tênis cria vínculos muito fortes que se preservados, serão para a vida, inclusive ajudando na vida profissional em outros setores fora o tênis.

Sou o mais velho de 3 irmãos que jogaram, Alexandre, Jaime e eu. Comecei cedo e viajei muito sozinho. E uma das coisas que me deram muita alegria, foi quando meus irmãos foram crescendo e tivemos a possibilidade de viajarmos juntos. Várias historias muito divertidas, que quando nos encontramos damos muitas risadas até hoje.

Então garotada, unam-se, juntos a coisa fica mais fácil, muito mais prazerosa e aumenta a possibilidade de sucesso.

Ricardo Pereira, coordenador de Tenis da 2SV acrescenta:

"Na formação do tenista infanto juvenil quando ele começa a competir aos 10 anos  normalmente vão os pais, avós , tios, irmão etc, quanto  mais ele cresce e melhora suas qualidades físicas e técnicas menos acontecem os acompanhamentos e mais torneios fora de sua cidade, ou seja, o adolescente fica mais solitário e o tênis não é tão divertido quando ele era criança. No tênis universitário, esta alegria , acompanhamento de outros  e união voltam a acontecer  no período universitário em 4 anos. Esta é a razão principal de mostrar aos estudantes atletas e pais que tênis universitário além de formar o individuo academicamente e atleticamente faz com que eles voltem a desfrutar o tênis como no inicio de sua carreira."

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